Fãs que cresceram vendo Simpsons na TV aprovam filme

Simpsons FIlmeLOCARNO, Suíça – A sensação do momento entre os fãs que cresceram assistindo as peripécias de Homer e família é entrar no site http://simpsonizeme.com/ e ver como eles mesmos seriam se se transformassem em um Simpson. Aliás, se “simpsonizar” é o que toda uma geração vem fazendo desde 1987, quando o desenho entrou timidamente no ar no programa The Tracey Ullman Show, no canal da toda poderosa Fox, que até hoje produz o desenho para a TV e é responsável pelo que os executivos chamam de “um evento que fica no meio do caminho entre Sgt. Pepper’s, o álbum, e Sgt. Peppers, o filme”.Exagero? Para quem não sabe o que é um happy hour no Moe’s ou o que significa D’oh, o bordão de Homer que até virou um verbete no Oxford English Dictionary, pode até parecer muito barulho por nada. Mas simpsonizar-se é só a ponta do iceberg de um frisson que começou há 18 anos quando, Matt Groening, (o criador da série) disse que adoraria produzir um longa-metragem dos Simpsons. A série ganhou seu próprio horário somente em 1989, mas, desde então, é um dos maiores casos de sucesso e longevidade da TV mundial. A partir do sucesso estrondoso que passou a fazer, para Groening era natural produzir o tão aguardado longa-metragem. Mas, isso levou quase duas décadas.

Muito porque os criadores não queriam queimar uma carta do baralho. Afinal, os executivos da Fox disseram literalmente que Groening poderia escrever o roteiro que quisesse, mas isso não significaria que eles iriam necessariamente aprovar.

Segundo, porque uma série que fazia tanto sucesso na TV ainda tinha muito horário nobre a explorar. Mas, há alguns anos, finalmente foi anunciado o tão aguardado épico. Sim, épico, muitos comparam Simpsons – O Filme como a saga digna de E O Vento Levou.

Brincadeiras à parte, o fato é que, anúncio feito, imediatamente já começaram boatos, notícias paralelas, informações sobre como ia ser o filme. Para se ter uma idéia do fenômeno midiático em que se tornou Simpsons – O Filme, durante o Festival de Cannes, em maio, a família tinha seu próprio stand no jardim, o espaço mais nobre, do badaladíssimo Hotel Carlton, no coração da Croisette. Todos paravam para tirar fotos na frente da sala de estar dos Simpsons, reprodução fiel do cenário onde, há 20 anos Homer, Marge, Maggie, Bart e Lisa fazem o que de melhor sabem fazer: ver televisão de péssima qualidade.Aliás, ironicamente, não é só a família que mora na cidade de Springfield (cuja localização exata no território americano os criadores nunca disseram qual é, pois há varias Springfields reais nos EUA e isso serve também de assunto de piada) que perde seus melhores anos diante da caixinha brilhante. Se Simpsons faz tanto sucesso é porque encontra terreno fértil nos corações e mentes de uma geração que cresceu na frente da babá eletrônica e que viu como nenhuma outra o fim das ideologias.

Homer, o supra sumo do norte-americano de classe e inteligência média (para não dizer limítrofe), nem sabe o que significa ideologia. Para ele, a ideologia é matar hora no trabalho, beber sua cerveja Duff gelada depois do trabalho e sacanear os fracos e oprimidos. Qualquer semelhança com a era onde a lei é ‘cada um por si’ não é mera coincidência. A aparente inofensiva série de animação fala muito mais da sociedade pós-moderna que muitos tratados sociológicos.Por isso, brilhante mesmo é Groening e sua equipe (que conta com James L. Brooks, Al Jean e Mike Scully), que conseguem até hoje retratar, ironizar e rir do mundo e de si mesmo sem perder a ternura. Mas, afinal, por que a família amarela é tão amada pelos jovens? Simpsons – O Filme, não é um filme, é um acontecimento para quem passou literalmente, no mínimo, 15 anos querendo ver Homer Simpson protagonizar um longa-metragem.

Muitos diriam? “Mas por que todo este frisson diante de “apenas” mais um produto de Hollywood?” Simplesmente porque este não é mais um produto de Hollywood. Segundo porque esta é um dos melhores desenhos animados e uma das melhores autocríticas que um artista norte-americano já produziu.Não por acaso, Simpsons tem nada menos que 400 episódios, mais de 20 Emmys (o prêmio máximo da TV norte-americana) e tem até mesmo uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.

E, que fique claro, o longa entra sem cópia legendada no Brasil porque os dubladores dos personagens são tão bons que nós, brasileiros, já adoramos tanto o “nosso Homer de sempre” (o ator Waldyr Sant’Anna) que a voz do ator norte-americano para o patriarca da família soa mais estranha que dublagens de novelas brasileiras em chinês. Vale lembrar que Sant’Anna, que tem fãs fervorosos, chegou a dublar o trailer do longa, mas não o filme. O ator move uma ação contra a Fox por uso indevido de sua voz nos DVDs da série e perdeu a voz no filme para Carlos Alberto, ator, radialista e ex-apresentador do canal SporTV. Enfim, fenômenos que só acontecem na terra de Springfield e que só Homer explica.Fonte: Estadão

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