Não espere um próximo longa de “Os Simpsons”

Os Simpsons – O Filme é um sucesso de bilheteria. Portanto, não espere um próximo longa. Estranho? No topo da bilheteria brasileira do último final de semana – e ainda um dos cinco filmes mais vistos nos EUA – Os Simpsons tinha tudo para emendar uma seqüência atrás da outra. No entanto, há um problema: a série continua um sucesso.

Em entrevista exclusiva ao JT, o roteirista e produtor do filme e da série, Mike Scully, diz que há anos ele, Matt Groening e os outros escritores vinham esperando a série perder popularidade e acabar para se dedicar ao cinema. Passados 18 temporadas, Scully tem contrato exclusivo para o produto na TV e não garante um segundo longa. Ele ainda fala de polêmicos episódios, como o que se passa no Brasil.

Jornal da Tarde – ‘Os Simpsons’ é uma das mais longínquas séries do mundo. Porque ela ainda não se desgastou como tantas outras da TV?

Mike Scully – Porque não dá para vê-los no rádio (risos). Acho que é porque os personagens nunca envelhecem, o que dá ao produto uma qualidade atemporal. Um episódio de 10 anos atrás pode parecer novo.

Quais são os hits da décima temporada que chega agora em DVD?

Tivemos vários convidados bons na temporada 10: Ron Howard, Alec Baldwin, Lisa Kudrow, Kim Basinger, Glenn Close e a primeira aparição de Stephen Hawking. Foi o primeiro ano que fizemos um episódio em trilogia, As Histórias Bíblicas dos Simpsons. Foi um sucesso, então continuamos a fazer outras trilogias nos outros anos.

Qual foi o episódio mais polêmico nestes anos todos?

Não sei se foi polêmico, mas o Bart matando acidentalmente um pássaro foi bem chocante para o público. Mas ao mesmo tempo é um dos episódios mais doces porque ele se sente muito mal com o que fez.

Qual é a maior dificuldade de produzir uma mesma série por quase 20 anos sem parar?

Procurar novos lugares para pedir almoço (risos). A maior dificuldade é arranjar histórias frescas e manter a qualidade de todas elas.

E por que levou tanto tempo para o primeiro filme sair?

Porque a série na TV sempre foi um sucesso e por isso nunca tínhamos tempo para fazer o filme. Ficávamos o tempo todo esperando a série acabar para não fazer duas coisas ao mesmo tempo. Mas quando começou a parecer que nós morreríamos antes da série, pensamos em iniciar o projeto do longa.

Sei que é difícil escolher um, mas qual é seu personagem preferido?

Se tivesse de escolher, seria o Homer. Ele me faz sentir um marido e um pai melhor, já que é realmente péssimo nestes quesitos.

Considerando o sucesso do filme no mundo, já pensam num segundo?

Não pensamos em nada. Estamos focados na série.

O surgimento posterior de animações como ‘South Park’ chegou a soar como uma ameaça à vanguarda dos Simpsons?

Acho que as pessoas nunca deixaram de ver veracidade na série e associá-la ao cotidiano de suas próprias vidas. Tentamos deixá-la sempre atualizada com os problemas novos do mundo, mas sem deixá-la tão específica para não parecer nada datado. É uma resposta complicada. A resposta simples é: ainda faz as pessoas rirem.

O episódio que se passa no Brasil causou grande polêmica. Achou a controvérsia toda justificável?

Não estou sabendo da polêmica. Mas posso dizer que tudo o que foi feito no episódio foi para tirar risos, com pouquíssima pesquisa e fundamento por trás, algo do qual nos orgulhamos muito.

Mas não acha que piadas como “macacos e cobras que andam pelas ruas” reforçam preconceitos na mente dos americanos, que ainda pouco conhecem o Brasil?

Eu nunca visitei o Brasil, e provavelmente nunca irei visitar depois do que eu vi em Os Simpsons. Estou brincando, claro. Não acho que algumas piadinhas de desenho influenciam a maneira como as pessoas vêem um país. Estou ansiosíssimo de conhecer o Brasil num futuro próximo.

Você está envolvido em algum novo projeto?

Há muitos anos, estou limitado à série, que toma muito meu tempo. Mas minha mulher (Julie Thacker) e eu estamos bolando alguns roteiros que poderão virar novas séries num futuro mais distante. Temos cinco crianças para botar na universidade, então temos de continuar trabalhando duro.

Fonte: Jornal da Tarde

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